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 HISTÓRIA DA COLONIZAÇAO DE GASPAR
  Os passos iniciais que compõem a história de Gaspar passam pela floresta. Os primeiros habitantes da região foram os índios Xoclengues, que chegaram ao Vale do Itajaí fugidos do Oeste, com esperanças de escapar da mira dos caçadores de índios, os chamados bugreiros. “No planalto catarinense, nos campos naturais entremeados de pinheirais, viviam os Xoclengues e Cainguangues, pertencentes ao grande grupo Jê, ou Tapuia. Ali praticavam alguma agricultura e tinham no pinhão a base de seu regime alimentar”, (Baptista, 1998). Pertencentes ao grupo Xoclengues, os índios botocudos ou bugres, como eram conhecidos, eram os mais conhecidos da região.

Pouco mais tarde, com o extermínio dos Xoclengues e Cainguangues, durante o século 18 e 19, a região do médio Vale do Itajaí deu lugar aos primeiros colonizadores, que ocupavam a região muito temerosos pela presença do índio. “(...) os batedores de mato se transformam em bugreiros. O facão, a pistola, a espingarda e o rifle, passam a ser os agentes definitivos de pacificação dos indígenas”. A obra cita alguns registros deixados pelo autor Algusto Zitlow, acerca do ano de 1905, sobre a relação branco/índio. “(...) as notas tomam um valor especial, pois testemunham que os habitantes das colônias colaboravam com recursos financeiros para manter as expedições de caça aos bugres”.

Depois dos vicentistas, homens oriundos da Capitania de são Vicente, que aqui aportaram com o objetivo de caçar índios e buscar ouro, os colonos açorianos foram os primeiros colonizadores e tempos depois, os imigrantes alemães e italianos.

(...) povoar e cultivar os terrenos de ambas as margens do Rio Itajaí-açú, desde a sua foz, até a primeira cachoeira; e o Itajaí-Mirim, desde a sua confluência naquele, até onde for navegável, e dali para cima, até o campo da Boa Vista. (IDEM, 1998, p. 27).

Entre os anos de 1748 e 1756, aportaram no litoral catarinense 4.929 imigrantes açorianos, oriundos do Arquipélago dos Açores, em Portugal, sob autorização do então Conselho Ultramarinho, que “autorizava o povoamento das costas catarinenses com imigrantes, com o objetivo de efetivar o domínio e a posse portuguesa das terras do Sul do Brasil, tão cobiçadas pelos espanhóis” (Idem, 1998). Aqui, os açorianos produziam farinha, açúcar, aguardente, peixe seco, arroz, milho e café, além de manipularem o algodão para tecelagem de panos grosseiros e rendas, madeiras e couros crus.

A colonização açoriana, entretanto, não agradou aos imigrantes e também ao governo português.

Os colonos ao chegarem as terras catarinenses, foram sujeitos a um verdadeiro regime de caserna, obrigados ao serviço militar e aos trabalhos públicos forçados, sem remuneração. Às vezes eram coagidos a abandonar suas plantações para trabalharem nas construções de fortalezas, trincheiras e edifícios públicos. (IBIDEM, 1998, p. 30).

Depois da chegada da mão-de-obra, aos poucos Gaspar começava a formar sua base econômica e populacional. Em “Memória Gasparense – Imigração italiana em Gaspar”, Baptista revela o motivo pelo qual os italianos chegaram no Vale: as guerras européias e as más colheitas.

A vida na Itália era uma verdadeira luta. A fome a rondar, as famílias sem empregos, mesmo na Áustria, Suíça e Alemanha, que na época absorviam a mão-de-obra ociosa da Itália, a população só via uma possibilidade e uma única solução: imigrar. (BAPTISTA, 1996, p. 04).

Dessa forma, ficou fácil para os chamados “negreiros da imigração” viabilizar a vinda desses italianos, aproveitando-se da situação da época e reafirmando promessas referentes à América. Entre as localidades que aspiravam mudar de vida, “e libertar-se para sempre de todas as calamidades (...)” (Idem, 1996) estavam Trevito, Cavedine, Levico, Centa, Vígolo, Val Sorda, Matarello, Ospedalleto, Cognola, Vattaro, Caldonazzo, Valda, entre outras. E, a partir de 1874, os imigrantes europeus começaram a aportar no Brasil.

Os agentes de imigração (ou negreiros de imigração) vendiam imagem falsas sobre a América. Remunerados pelo número de imigrantes que conseguissem embarcar, realizaram uma intensa propaganda enganosa sobre o País:

(...) ilustrada com fotografias de videiras com enormes cachos de uvas, árvores frutíferas repletas de frutos, lavouras abundantes, animais domésticos de grande porte...(...) Não bastasse a propaganda, padres católicos passaram a visitar os agricultores dizendo maravilhas do Novo Mundo: o governo do Brasil garantia alimentos farto por seis meses, casa própria, 20 a 30 hectares de terras férteis, ferramentas, sementes, animais domésticos, etc. (IBIDEM, 1996, p. 04 e 06).

Depois de estabelecidos nas terras gasparenses, os novos imigrantes, já no início do século 20, iniciaram o cultivo do arroz irrigado, uma das práticas rurais com grande destaque no Município ainda hoje. As famílias pioneiras nesse processo, depois de deixar a colônia Blumenau, foram Mondini, Moretto, Moser, Dalla-Rosa, seguidas pelas famílias Fachini, Testoni, Dagnoni, entre outros, que se estabeleceram nas localidades do Gasparinho Quadro, Garuba e atual rua Brusque.

Os imigrantes inicialmente mantinham-se com seus lotes e vendiam madeira aos engenhos vizinhos. Muitos problemas com a venda e compra de lotes ilegais ou já ocupados foram notados nesse período. “Os italianos passaram dificuldades muito grandes. (...) A terra era estranha e completamente desconhecida para os novos imigrantes”. Mais adiante, a obra conta: “(...) as terras produtivas ficavam nas margens dos rios. Eram as mais disputadas, e os seus donos conseguiam as melhores colheitas e, conseqüentemente, maior poder econômico” (Ibidem, 1996).

Mais tarde, os imigrantes europeus (italianos, alemães, tirolês, russos e poloneses) cultivavam também feijão, milho, aipim, taiá, batata, abóbora, verduras e amendoim, “que também era vendido para comprar algumas roupas ou atender outras necessidades. As roupas, às vezes, eram remendadas com cipó-imbira, pois a linha era artigo de valor” (Ibidem, 1996). Entre alguns costumes destacados pela autora em sua obra, está o fato de os italianos se destacarem pela tradição de curar ou tratar doenças hepáticas, através de simpatias ou remédios caseiros.

Anos mais tarde, em 1880, segundo conta a história, as freguesias de São Paulo Apóstolo de Blumenau e São Pedro Apóstolo de Gaspar (pertencentes até então ao município de Itajaí) passaram a formar um município, chamado “Blumenau”. Nessa data, o número de habitantes do então município, com 11 mil quilômetros quadrados, era de 16.308 pessoas. Havia três mil residências, 255 engenhos de açúcar, 152 engenhos de farinha de mandioca, seis descascadores de arroz, 29 moinhos de fubá, fábricas de louças de barro, tecidos, serrarias, olarias, cervejarias, vinho e vinagre, padarias, açougues, entre outros.

Durante 54 anos Gaspar foi o 2º distrito de Blumenau. “Os impostos sobre terras, produção, veículos, etc., eram pagos a Blumenau e depois transformados em serviços, como escolas, pontes, estradas para população de Gaspar” (Baptista, 1998). Neste período os serviços no distrito gasparenses, como educação e saúde, eram precários e raros.

Nesta época, de acordo com fontes históricas, já existia em Gaspar o primeiro loteamento urbano do distrito, estabelecido no ano de 1870, surgindo, a partir de então, as primeiras casas comerciais, impulsionando os negócios da região. Somente anos depois, em 1934, Gaspar emancipou-se politicamente. Entretanto, “as regiões de Barracão, Bateias, Óleo Grande, Poço Fundo e Gasparinho fizeram parte do município de São Luiz Gonzaga (atual Brusque) até o início do século 20”. As primeiras manifestações em prol da emancipação de Gaspar iniciaram, porém, há quatro anos antes. E, em 18 de março de 1934 Gaspar torna-se município e o senhor Leopoldo Schramm torna-se o primeiro prefeito da cidade. “O progresso se tornou acentuado, com indústrias, comércio, escolas, estradas e um hospital para atender à população” (Idem, 1998).


Baseada na obra de Leda Maria Baptista
 
 
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