Em um país devastado pela guerra, os celulares são o objeto de consumo mais valorizado. Considerados um símbolo de status, os aparelhos também dão vazão a um senso de humor macabro. Uma das mensagens mais populares quando a ligação não é completada informa: "Sua chamada não foi completada porque o assinante foi bombardeado ou seqüestrado". A imagem de um esqueleto, então, toma a tela do aparelho.
O número de telefones celulares no Iraque ultrapassou este ano a marca dos sete milhões, segundo números do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Um milhão e meio de aparelhos a mais do que há dois anos. Isso se deve ao fato de que esses telefones muitas vezes são a única forma de comunicação operacional a maior parte do dia em cidades como Bagdá depois que a infra-estrutura do Iraque foi devastada pelos bombardeios norte-americanos. A procura ainda não teve efeito sobre os preços, e modelos considerados convencionais no Brasil atinjam preços de até seiscentos dólares.
ApelidosE o clima de violência que faz dezenas de vítimas diariamente tem ampliado o uso dos telefones. Rebeldes o utilizam para detonar bombas, enquanto a população espera evitar o perigo das ruas através de uma ligação ou mensagem de amigos. Os modelos também são chamados por apelidos. O mais popular é Apache, nome do helicóptero de combate utilizado pelas tropas norte-americanas. O toque mais difundido lembra o barulho de hélices.
Nas mãos de iraquianos vivendo em zonas de combate, os telefones celulares tem servido para registras fotos e vídeos que escapam da imprensa. A troca dessas imagens está se popularizando no país, mas ainda não chegou à Internet com força.
Fonte: InfomediaTV
Data: 10/08/2006
Visitas: 3661
Permalink:
Guerra influencia hábitos de iraquianos com o celular